Diretora da APAE participa no Noticiário P7 de entrevista sobre autismo

Diretora da APAE participa no Noticiário P7 de entrevista sobre autismo

Publicado em: 25 mar, 2022 às 10:30

A Diretora da APAE de Palmeira Michele de Freitas Kapp participou do Noticiário P7 desta quinta-feira (24) em uma entrevista sobre autismo.
De acordo com o site Autismo e Realidade  o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. “Ele é um distúrbio neurológico que acomete pessoas e que por conta disso faz com que esses indivíduos apresentem algumas dificuldades na habilidade social, algumas dificuldades de comunicação, comportamentos inadequados e um padrão de interesse bastante restrito, estereotipias e várias outras características que fogem do padrão é de normalidade de um desenvolvimento neurotípico”, explicou Michele.

Causas
Ao falar sobre as causas do TEA, a Diretora da APAE destaca que elas ainda são desconhecidas. “O que a gente sabe hoje é que o autismo é multifatorial. Ainda existem muitos estudos, o que já se pode dizer é que existe uma pré-disposição genética e existem outros indícios ainda em estudos como a questão da vitamina D da mãe, o nível de cortisol muito alto durante a gestação, outro fator também levado em consideração são as infecções durante a gestação (…), mas ainda são fatores em estudo. O que a gente tem certeza é que indivíduos com autismo, que fazem um exame genético que ainda não é um exame acessível a toda a população, todos eles têm alterações cromossômicas, mas não são alterações cromossômicas padronizadas, então todos têm algum tipo de alteração, mas não necessariamente a mesma. E isso dificulta muito os estudos, até mesmo da genética e do DNA”, disse.

Sinais e sintomas
Em relação a sinais e sintomas, Michele explica que cada indivíduo pode apresentar inúmeros indícios diferentes entre si. “O que podemos colocar de mais evidente, são as alterações na capacidade de comunicação e interação social. Então esse é a característica mais evidente. O modo de se comunicar com o mundo é totalmente diverso do padrão neurotípico, movimentos repetitivos, estereotipias, que são tanto as estereotipias motoras como as orais. Enquanto todas as crianças de uma de uma certa idade se interessam por brinquedos. A criança autista tem um interesse no ventilador, por exemplo. Então ele tem um padrão muito diferenciado e muito restrito de interesses. Normalmente eles evitam contato visual, tem dificuldades para as interpretações, tanto de expressões faciais como na interpretação verbal. É, eles dão outras funções para objetos e brinquedos, por exemplo. Todas as crianças neurotípicas usam um carrinho para brincar numa estradinha, a criança com autismo normalmente ela vai pegar o carrinho e vai brincar de uma forma diferente, virar ele de ponta cabeça e ficar rodando a rodinha não é e isso acontece não só com brinquedos, mas também com outros objetos. Outra característica bastante importante é que eles usam o outro também como objeto, então eles pegam normalmente a mão do adulto para conseguir o que eles querem, isso é um padrão que se repete bastante. Balanços corporais, hipersensibilidades…”, relatou ela.
A profissional explicou que essas características são pontos de partida tanto para trabalhos terapêuticos quanto educacionais. “Vale dizer também e no que essa gama de características, não necessariamente uma criança com o diagnóstico precisa ter todas elas, mas esses são alguns dos padrões que mais se repetem”, contou Michele.
Michele comentou na entrevista que os médicos neuropediatras, eles aplicam testes neurológicos que classificam o autismo em grau 1 2 e 3. A respeito do tratamento, ela explicou que não existe um  padrão, justamente o tratamento deve ser delineado a partir das características e dos sintomas que cada indivíduo apresenta, o respeitando a sua individualidade. “O ideal é um tratamento personalizado que minimiza esses sintomas que são apresentados por essa criança que ele tenha um acompanhamento neuropediátrico. Normalmente eles precisam de medicação, nos casos mais graves (de grau 2 e 3), mas essa medicação ela vai ter que estar alinhada aos sintomas que ele apresenta sono agitado, hiperatividade, agressividade. Então o médico vai aliar a medicação conforme esses sintomas, os tratamentos terapêuticos”, relatou.

Diagnóstico
A Diretora da APAE também abordou na entrevista que o diagnóstico precoce é realizado pela equipe multidisciplinar por volta de 2 a 3 anos de idade. “Quando ficam mais evidentes essas características, principalmente no atraso da fala, na falta do contato visual nesses comportamentos inadequados, quando os pais já começam a perceber que tem alguma coisa diferente no desenvolvimento neurológico do seu filho e os médicos já conseguem aplicar os testes para fazer o diagnóstico. Enquanto as crianças são bebezinhas, podemos pensar que existem algumas características, mas elas são muito sutis. Exatamente nos 2 ou 3 anos, é a idade é que ficam mais evidentes essas características”, disse Michele.
Ela destacou que nos últimos dois, três anos está tendo uma crescente demanda de diagnóstico precoce de autismo. “No Brasil podemos dizer que um a cada 44 nascidos vivos estão tendo diagnóstico de autismo, esse número é super alto e é um número oficial”, revelou Michele ao citar que atualmente 37 autistas são atendidos na APAE de Palmeira. “Lembrando que existem diagnósticos de autistas na rede comum de ensino. Os casos mais leves estão sendo absorvidos pela rede comum.  Pensando que em 2020, há dois anos, nós tínhamos nove, então veja como esta, como é assustador”, apontou ela.
Na ocasião, Michele também orientou pais e responsáveis que desconfiem que o filho tenha o TEA, que procurem o quanto antes auxílio profissional. “Pessoas que não tenham contato com pediatra e neuropediatra, podem fazer a avaliação na APAE. Nós temos um encaminhamento para o neuropediatra de Curitiba, que é de nossa confiança, temos uma parceria com o trabalho do Dr. Alfredo, que é um o chefe da ala de neuropediatria do Hospital Pequeno Príncipe. Então ele é uma pessoa gabaritada para fazer esses testes e dar todo apoio que a gente precisa” Famílias que percebam desenvolvimento atípico no seu filho não esperem. Porque no caso do autismo e em muitas outras deficiências, quanto antes iniciar as terapias especializadas e a estimulação, melhor são as chances de desenvolvimento.   E o objetivo de todas as terapias e do trabalho educacional é desenvolver as habilidades sociais e é fazer com que as crianças, jovens e adultos com autismo que eles se aproximem de um padrão mais próximo de interação social, esse é o nosso objetivo.

Texto e foto: Bruna Camargo